
24 out 2025sex 20:00
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Zumbi do Mato foi uma banda cult do underground carioca que acabou há muito tempo. Eles foram a primeira e única banda de rock regressivo do mundo. Vinte anos depois, em pleno 2024, os ex-membros do Zumbi do Mato desenvolveram, telepaticamente, uma técnica anticientífica para compor discos póstumos. Muitos astros do rock lançaram discos de inéditas após a morte. Os ex-integrantes do Zumbi descobriram como fazer isso em vida: basta não voltar com a banda.
Zumbi do Mato mostra o verdadeiro significado do termo rock regressivo de forma brutal em “Bosasova Bova”, seu novo álbum de inéditas. Um disco composto e gravado depois que a banda acabou, após o show de despedida. A nota depois da última nota. Um marco no estilo que consagrou a banda, uma banda-zumbi fazendo jus ao próprio nome (a parte do “mato” é pura fofoca). Tudo isso só foi possível graças à colaboração do ex-baixista Zé Felipe, que, sendo o fundador da banda, dá mais credibilidade ao projeto. O antigo tecladista, Gustavo Jobim, brilha nas melodias e, infelizmente, começa a ter seu melhor momento nesse disco. Uma pena que não foi tão bem aproveitado enquanto a banda ainda estava em atividade. Quem também está ali para compensar brilhantemente essa falha, com muito suingue descompensado, é Renzo Borges, levando sua bateria numa direção nunca antes cogitada. E, obviamente, o vocal de Löis Lancaster, a única pessoa no mundo que se presta a cantar esse tipo de música e ainda assim faz a música prestar.
Quarteto instrumental que mistura guitarrada/noisebeat com improvisação extrema. Guitarra balanço/noise/synth, sax brutal e acolhedor, baixo que dança e bateria suinguera estranha.
Há 20 anos, nascia um espaço que se tornaria referência nacional e internacional da música independente, da experimentação sonora e da liberdade artística: a Audio Rebel. Em 2025, celebramos duas décadas de resistência cultural, encontros inesquecíveis, parcerias históricas e muitos momentos que marcaram o cenário musical brasileiro.
Nestes 20 anos, a Rebel foi palco de centenas de shows memoráveis, de nomes consagrados a novos talentos da cena independente. Tornou-se um laboratório criativo, recebendo projetos experimentais e colaborações únicas entre artistas do Brasil e do mundo. Sobreviveu a tempos difíceis, incluindo uma pandemia, reafirmando seu papel como espaço de resistência cultural. Abrigou gravações, ensaios, residências artísticas e oficinas, funcionando como ponto de encontro para músicos, produtores e pensadores da arte sonora. Foi reconhecida como um dos espaços culturais mais autênticos e consistentes do Rio de Janeiro – sempre com os pés no chão e os ouvidos no futuro.

O Festival Rebel 20 anos está sendo realizado com o apoio da Heineken e projeto gráfico por aleXdu.